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Fevereiro Roxo: Fibromialgia — quando a dor não aparece no exame, mas muda a vida

  • Foto do escritor: Dr Felipe Mukai
    Dr Felipe Mukai
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Nem toda dor deixa marcas visíveis. Algumas não aparecem no exame, não inflamam articulações, não quebram ossos — mas drenam energia, concentração e qualidade de vida.

É por isso que o Fevereiro Roxo existe: para dar voz às doenças invisíveis. E entre elas, a fibromialgia é uma das mais incompreendidas.


O tamanho real do problema (dados que quase ninguém fala)

Hoje, estima-se que a fibromialgia afete entre 2% e 4% da população mundial. No Brasil, os números giram em torno de 3% da população, com predominância em mulheres entre 30 e 50 anos.

Mas aqui está o dado que chama atenção:👉 70% a 90% dos diagnósticos são feitos em mulheres, o que levanta discussões importantes sobre gênero, diagnóstico tardio e invalidação da dor feminina.


E não é uma condição rara em consultórios especializados: em pessoas que já convivem com outras síndromes funcionais — como intestino irritável, enxaqueca crônica ou distúrbios do sono — a prevalência pode chegar a 15%.

Por que parece que “tem mais gente com fibromialgia” hoje?


Essa é uma pergunta frequente — e faz sentido.

📈 Os casos diagnosticados vêm aumentando nos últimos anos, mas não necessariamente porque a doença surgiu agora. O que mudou foi:

  • Maior consciência médica

  • Critérios diagnósticos mais claros

  • Pacientes mais informados

  • Menos tolerância ao discurso do “é só estresse”


Além disso, a produção científica sobre fibromialgia cresce ano após ano, com pesquisas cada vez mais focadas em:


  • Função física

  • Qualidade do sono

  • Processamento da dor no sistema nervoso

  • Impacto emocional e social

Ou seja: a ciência finalmente começou a olhar para a fibromialgia como ela é — complexa, sistêmica e multifatorial.


Uma dor que não está no músculo (e nem só na cabeça)


A fibromialgia não é uma inflamação muscular clássica. Também não é “psicológica” no sentido raso da palavra.


O que sabemos hoje é que ela envolve uma alteração no sistema nervoso central, especialmente na forma como o cérebro:


  • percebe

  • interpreta

  • amplifica estímulos dolorosos


É como se o “volume da dor” estivesse constantemente alto.

Por isso, exames de imagem e laboratoriais costumam estar normais — e isso explica por que tantos pacientes passam anos ouvindo frases como:

“Você não tem nada” “É ansiedade” “É falta de exercício”

Esse processo de invalidação, por si só, agrava os sintomas.


Sintomas que vão muito além da dor

Reduzir fibromialgia a “dor no corpo” é um erro comum. Na prática, ela costuma vir acompanhada de:


  • Cansaço extremo que não melhora com descanso

  • Sono não reparador

  • Rigidez matinal

  • Dificuldade de concentração (“nevoeiro mental”)

  • Hipersensibilidade ao toque, frio, barulho ou estresse

  • Oscilações de humor relacionadas à exaustão constante


👉 A dor é só a parte visível do iceberg.


O papel central do sono (uma das maiores descobertas recentes)


Pesquisas mais recentes mostram algo importante:📌 distúrbios do sono não são apenas consequência da fibromialgia — eles fazem parte do problema.

Inclusive, em 2025, um novo medicamento foi aprovado nos EUA com foco específico em melhorar o sono não reparador em pacientes com fibromialgia — algo que não acontecia havia mais de uma década.

Isso reforça um ponto-chave:

Dormir mal aumenta a dor. Sentir dor piora o sono. E o ciclo se retroalimenta.

O que piora a fibromialgia no dia a dia (e quase ninguém orienta)


Alguns fatores têm impacto direto na intensidade dos sintomas:

  • Estresse emocional crônico

  • Privação de sono

  • Sedentarismo prolongado

  • Excesso de esforço sem progressão adequada

  • Rotina desorganizada

  • Relações que exigem mais energia do que a pessoa consegue oferecer

Aqui entra uma verdade difícil, mas libertadora:

Não é sobre “aguentar mais”.É sobre regular melhor.

O que realmente ajuda (e por que não existe solução única)

A fibromialgia não tem cura, mas pode — e deve — ser manejada.

Abordagens que mostram melhores resultados envolvem:

  • Movimento consciente e progressivo

  • Educação em dor (entender muda a percepção)

  • Estratégias para melhora do sono

  • Regulação do estresse

  • Tratamento individualizado e contínuo

Não existe protocolo mágico. Existe escuta, adaptação e constância.


Uma curiosidade importante: o impacto invisível

Pacientes com fibromialgia utilizam mais serviços de saúde, passam por mais especialidades e acumulam mais tentativas frustradas de tratamento ao longo dos anos.

Isso não é exagero.É reflexo de uma condição que demorou demais para ser levada a sério.


Fevereiro Roxo é sobre respeito

Fibromialgia não define quem a pessoa é.Mas ignorá-la pode definir — negativamente — como essa pessoa vive.

Conscientizar é:

  • Informar

  • Acolher

  • Validar

  • Cuidar sem julgamento

Porque a dor que não aparece no exame continua sendo dor.

E quem sente, merece cuidado.



 
 
 

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